Anedota japonesa
Peixes mecânicos nadam,
raros, no aquário em Osaka.
Seu terno de vidro quebrou
no armário de espanto.
Um corvo com bico de aço
volta a furar seu cérebro.
As vísceras de Mishima
pulam debaixo da cama.
Nenhum cão na imensa Tóquio
ganirá por sua solidão.
( Donizete Galvão )
segunda-feira, 11 de março de 2019
de polir com areia
a água dorme no fundo
da casa. mas tudo dorme
no fundo da casa. se uma
esfera de papéis
avulsos, o grampo do fundo
da esfera desfeito.
o exílio encostado ao lado
da janela, uma ou
duas árvores, alguém conversa
o tempo inteiro e fala alto
sobre desertos sem
qualidade –
uma linha muda, o que
se refaz.
( Manoel Ricardo de Lima )
a água dorme no fundo
da casa. mas tudo dorme
no fundo da casa. se uma
esfera de papéis
avulsos, o grampo do fundo
da esfera desfeito.
o exílio encostado ao lado
da janela, uma ou
duas árvores, alguém conversa
o tempo inteiro e fala alto
sobre desertos sem
qualidade –
uma linha muda, o que
se refaz.
( Manoel Ricardo de Lima )
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
"de qué modo sutil
me derramó en la camisa todas las flores de abril" ( Nicolás Guillén ) Avenida Doutor Arnaldo demolidora formosa li naquele caminhão devolvemos a sua amada em suaves prestações do que foi feita a barraca de flores a ideia num papel rabiscado vinte ripas de madeira lona azul, poucos metros sete dúzias de amores-perfeitos dezessete vasinhos de cactos quarenta rosas colombianas no radinho estão voltando as flores nessa manhã tão linda a dona conta o dinheiro miúdo cheiro de chuva e sol deve ser casamento de espanhol cinco horas outro congestionamento os carros quase todos prateados, olha um branco e se fôssemos peixes num aquário interditado? |
a sua ausência
é a lâmpada queimada
de uma pousada
em paraty
teatro de sombras
na parede da sorveteria
cafona
hoje não tem
o de pistache e o cheiro
de damas da noite
o gosto salgado da maresia
o carrinho de doces azul
e pulseira de sete voltas
os barcos de vidro riscado
e as roupas brancas
na estrada da lua minguante
é a lâmpada queimada
de uma pousada
em paraty
teatro de sombras
na parede da sorveteria
cafona
hoje não tem
o de pistache e o cheiro
de damas da noite
o gosto salgado da maresia
o carrinho de doces azul
e pulseira de sete voltas
os barcos de vidro riscado
e as roupas brancas
na estrada da lua minguante
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