terça-feira, 6 de março de 2018

 Suplemento Literário de Minas Gerais, edição 1372.
:
o sábado é de
plástico-bolha
promessa de felicidade
luzes desmaiadas
numa festa da memória
cheiro de gasolina
esfiha no micro-ondas
da loja de conveniência
vale-disco da hi-fi
raindrops keep
fallin' on my head
e o telefone dela
num papel amassado

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A antologia de rotina & tédio reúne furadores contumazes de filas de padarias , supermercados e farmácias . Quanto menos passos por dia, melhor, o negócio é tomar sol na varandinha, comprar maria-mole na quitanda do Carrapito, fazer a fotossíntese ao lado do maço de alface. Sem passeatas, comícios, ou marchas com palavras de ordem, apenas a leseira da tarde tediosa. Viva a vida alienada sem chorumelas e cantilenas estridentes. Esticar as velhas roupas coloridas no varal, comprar uma dúzia de dadinhos com uma penca de moedas de dez centavos, Só poemas curtos, sem pé nem cabeça, a sola do seu franciscano, seu cofrinho de porquinho , odes ao chicabon

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

qualquer ato é farsa 
que rasga a lona 
do circo antigo 
canastrão na corda bamba
sem tiques ou 
truques o salto
ou o nada vinca essa pele
de asfalto desertos
cotidianos

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

a multidão me distancia
perco de vista o sorriso
que julgava meu 
mas era engano
esfinge a soletrar
um jogo de erros
o oposto do esperado
se pareço forte
caio frágil no tropeço
do espelho
a multidão me distancia perco de vista o sorriso que julgava meu mas era engano esfinge a soletrar um jogo de erros o oposto do esperado se pareço forte caio frágil no tropeço do espelho