terça-feira, 11 de abril de 2017


mudei de calçada
esquina é a dobra 
da rua,uma rasura 
traço ao acaso 
asfalto que apressa
os passos de um 
calendário magro 
tropeço, engano
blefe de baralho
fajuto, um cuspe
que volta no rosto
um corpo pendurado

na escadaria 
da 23 de maio

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

mover o rosto
num gesto ausente
apagar as vogais
da fala, ruído irritado
balela, bílis
no álbum de família
a  foto arrancada
o  zero à esquerda 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

o córrego ipiranga
flui seu código
silencioso
caminho rente
sol ardido, banzo
da tarde de terça
trailer abandonado
loja de autopeças
quixote  de radiador
faróis, tanque e
escapamento
distraído, esqueço
o trânsito da avenida
vertigem, recordo
o jardim da saúde,
um quintal e a pitangueira
do rubens na rua frei rolim

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

POETA DA RUA

Ficaria feliz, imenso, realizado
se apenas fosse o poeta da minha rua.
Nada de títulos, reconhecimento em tese
e muito menos entrevista para revista.
Que apenas o moleque que cruza meu caminho
dissesse à namorada:
— Lá vai o poeta da rua até o mercadinho.
( Guca Domenico )

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Desmemórias

o colírio laranja visão turva na estação carrão as linhas alongadas delimitam o espaço o tranco no vagão e a janela passa rápida borrando a paisagem.  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Desmemórias 
conjunto nacional uma tarde e os olhos cor de mesa de sinuca palavras caladas palavras ditas alegria nervosa  a escada e pessoas apressadas san paollo de vincenzo scarpellini tempo adiado chegou atrasado na estação  chegou errado tropeço na sílaba  seu nome que não pode ser dito vestido de verão e a cara lavada  sorriso e tudo a noite nubla despedida taxi coração em descompasso  inverno anuncia palavras sem volta  que lembram um bumerangue quebrado.