mudei de calçada esquina é a dobra da rua,uma rasura traço ao acaso asfalto que apressa os passos de um calendário magro tropeço, engano blefe de baralho fajuto, um cuspe que volta no rosto um corpo pendurado na escadaria da 23 de maio
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
mover o rosto
num gesto ausente
apagar as vogais
da fala, ruído irritado
balela, bílis
no álbum de família
a foto arrancada
o zero à esquerda
domingo, 15 de janeiro de 2017
carne de sol ou bolinho de chuva ?
( rabuja rubirosa )
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
o córrego ipiranga flui seu código silencioso caminho rente sol ardido, banzo da tarde de terça trailer abandonado loja de autopeças quixote de radiador faróis, tanque e escapamento distraído, esqueço o trânsito da avenida vertigem, recordo o jardim da saúde, um quintal e a pitangueira do rubens na rua frei rolim
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
POETA DA RUA
Ficaria feliz, imenso, realizado se apenas fosse o poeta da minha rua. Nada de títulos, reconhecimento em tese e muito menos entrevista para revista. Que apenas o moleque que cruza meu caminho dissesse à namorada: — Lá vai o poeta da rua até o mercadinho.
( Guca Domenico )
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Desmemórias
o colírio laranja visão turva na estação carrão as linhas alongadas delimitam o espaço o tranco
no vagão e a janela passa rápida borrando a paisagem.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Desmemórias
conjunto nacional uma tarde e os olhos cor de mesa de sinuca
palavras caladas palavras ditas alegria nervosa
a escada e pessoas apressadas san paollo de vincenzo scarpellini tempo
adiado chegou atrasado na estação chegou
errado tropeço na sílaba seu nome que
não pode ser dito vestido de verão e a cara lavada sorriso e tudo a noite nubla despedida taxi coração em descompasso inverno anuncia palavras sem volta que lembram um bumerangue quebrado.