quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Desmemórias

o colírio laranja visão turva na estação carrão as linhas alongadas delimitam o espaço o tranco no vagão e a janela passa rápida borrando a paisagem.  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Desmemórias 
conjunto nacional uma tarde e os olhos cor de mesa de sinuca palavras caladas palavras ditas alegria nervosa  a escada e pessoas apressadas san paollo de vincenzo scarpellini tempo adiado chegou atrasado na estação  chegou errado tropeço na sílaba  seu nome que não pode ser dito vestido de verão e a cara lavada  sorriso e tudo a noite nubla despedida taxi coração em descompasso  inverno anuncia palavras sem volta  que lembram um bumerangue quebrado.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

SANDÁLIAS DE HERMES


Em plumas de pomba
um homem borboleteia
pela Recife retrô
beatnik em quarto de albergue.

Ana
em seu corpo-turíbulo
queima a solidão
e incensa a manhã.

Numa estrada próxima às folhas
onde as cigarras
são encantadoras de silêncio
o andarilho e a eremita
têm em suas fugas

uma alquimia de cama.

( Tito Leite )

sábado, 26 de março de 2016

desmemórias 


cada galeria é uma passagem que atravessa décadas pode-se enredar um caminho lateral discreto entre o café e o manequim que veste o vestido de verão ou jogar xadrez com os pombos no jardim restrito que contorna o limite do prédio
Na São Bento as sombras
entre a ferrugem da marquise 
e os passos enviesados
rente à escadaria 
o senhor de panamá 
pisa na água suja e
lamenta a loja fechada
1935, El Sombreiro
finda um tempo
arabesco, espelho mofado
o relógio de ponta-cabeça
em ato contínuo, silêncio
tecido nessa noite de garoa

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Desmemorias

coleção de moscas mortas trinca o vidro sem romper nessas caixas de madeira marítima