segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

a sua ausência 
é a lâmpada queimada
de uma pousada 
em paraty
teatro de sombras 
na parede da sorveteria 
cafona

hoje não tem
o de pistache e o cheiro
de damas da noite
o gosto salgado da maresia
o carrinho de doces azul
e pulseira de sete voltas
os barcos de vidro riscado
e as roupas brancas
na estrada da lua minguante
um tropeço, engano
blefe de baralho fajuto.
um corpo estático
pendurado na
escadaria da 23 de maio

mudei de calçada:
a esquina é a
dobra da rua,
uma rasura,
traço ao acaso
asfalto que apressa os passos
de um calendário magro.

terça-feira, 6 de março de 2018

 Suplemento Literário de Minas Gerais, edição 1372.
:
o sábado é de
plástico-bolha
promessa de felicidade
luzes desmaiadas
numa festa da memória
cheiro de gasolina
esfiha no micro-ondas
da loja de conveniência
vale-disco da hi-fi
raindrops keep
fallin' on my head
e o telefone dela
num papel amassado

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A antologia de rotina & tédio reúne furadores contumazes de filas de padarias , supermercados e farmácias . Quanto menos passos por dia, melhor, o negócio é tomar sol na varandinha, comprar maria-mole na quitanda do Carrapito, fazer a fotossíntese ao lado do maço de alface. Sem passeatas, comícios, ou marchas com palavras de ordem, apenas a leseira da tarde tediosa. Viva a vida alienada sem chorumelas e cantilenas estridentes. Esticar as velhas roupas coloridas no varal, comprar uma dúzia de dadinhos com uma penca de moedas de dez centavos, Só poemas curtos, sem pé nem cabeça, a sola do seu franciscano, seu cofrinho de porquinho , odes ao chicabon

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

qualquer ato é farsa 
que rasga a lona 
do circo antigo 
canastrão na corda bamba
sem tiques ou 
truques o salto
ou o nada vinca essa pele
de asfalto desertos
cotidianos