o córrego ipiranga flui seu código silencioso caminho rente sol ardido, banzo da tarde de terça trailer abandonado loja de autopeças quixote de radiador faróis, tanque e escapamento distraído, esqueço o trânsito da avenida vertigem, recordo o jardim da saúde, um quintal e a pitangueira do rubens na rua frei rolim
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
POETA DA RUA
Ficaria feliz, imenso, realizado se apenas fosse o poeta da minha rua. Nada de títulos, reconhecimento em tese e muito menos entrevista para revista. Que apenas o moleque que cruza meu caminho dissesse à namorada: — Lá vai o poeta da rua até o mercadinho.
( Guca Domenico )
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Desmemórias
o colírio laranja visão turva na estação carrão as linhas alongadas delimitam o espaço o tranco
no vagão e a janela passa rápida borrando a paisagem.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Desmemórias
conjunto nacional uma tarde e os olhos cor de mesa de sinuca
palavras caladas palavras ditas alegria nervosa
a escada e pessoas apressadas san paollo de vincenzo scarpellini tempo
adiado chegou atrasado na estação chegou
errado tropeço na sílaba seu nome que
não pode ser dito vestido de verão e a cara lavada sorriso e tudo a noite nubla despedida taxi coração em descompasso inverno anuncia palavras sem volta que lembram um bumerangue quebrado.